27.2.10

Minha escrita pesa uma tonelada

Terminei recentemente um conto sobre a história de três pacatos jovens que retornam de uma – eu realmente detesto essa palavra - “balada”, e passam na casa da garota da turma (os outros dois são homens) para descansar.

Eu escrevi o texto em um momento de raiva. Escrever é uma ótima forma de se expressar. Se você, leitor, nunca tentou, passe a cultivar esse hábito. É aliviante. Obviamente eu ainda não o publiquei. O insight pode vir dessa tensão toda, mas a técnica há de ser trabalhada, as frases reescritas, os pontos adicionados. Qualquer dia ele aparece por estas bandas.

Acontece que a história assume contornos nada agradáveis aos olhos estetas da nossa juventude colorida. É um conto pesado, realista, denso, visceral. A minha escrita pesa uma tonelada. Na melhor influência de Rubem Fonseca, Milan Kundera, Dostoiévski, entre outros.

Já adianto este detalhe pois, relendo meus últimos textos, tenho percebido muita violência, sexo, mortes e outras agruras.

“Mas por que você não escreve coisas mais leves, Victor?”, perguntariam as moçoilas fãs de Crepúsculo, açodadas em seu mundinho de classe-média romantizada.

Simples. Se quer ler coisas bonitinhas e engraçadinhas, basta achar um dos milhares de blogs que existem no Brasil destinados a essa finalidade. Blogs com historinhas sobre amor, solidão, paixão, baladas, continhos policiais mergulhados numa infinidade de clichês insuportáveis. Geralmente se tratam de a) garotos com alguma habilidade para a escrita e que a usam para conquistar meninas ou; b) meninas que só sabem escrever quando estão sofrendo, o que é patético.

“Credo, Victor, mas sua vida é assim tão ruim para escrever essas coisas?”. Não, lógico que não. Ninguém precisa vivenciar para escrever, basta ter imaginação. A vivência é um passo além e, confesso, acho injusto livros autobiográficos. Sempre são considerados geniais. Cristovão Tezza que o diga. Eu sou normal, eu acho… Sou universitário. Faço estágio e detesto estudar como muitos. Gosto de sair e beber. Rock, heavy metal, música clássica e música eletrônica são minhas predileções. Mas alguns ainda teimam em achar que eu sou um alienígena que mora numa toca e é insensível ao contato humano.

Bem, aparentemente, imaginação todos têm. Uns para o kitsch, outros para o horrendo. Se estiver acostumado com a dor, leitor, aqui é seu lugar. Sofra e cresça, assim como cansa de ensinar a vida.

6 comentários:

Lígia Silva disse...

Eu também odeio a palavra "balada" hahaha mas eu uso..
Sabe do que? Adoro sua vida Bictor. E seus textos amargurados.

Marina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A_for_Anetta disse...

Pode me achar patética, eu só escrevo quando sofro UAHUAHAUHUA Bom, vendo por essa ótica eu deveria escrever um livro por semana... UAHUAUA

Sua escrita é como desabafo, mesmo que não esteja desabafando sobre sua vida ou sua realidade. E seus textos sempre me impressionam. Você tem a capacidade de captar o mundo à sua volta como uma câmera fotográfica. Admirável.

=*

Marina disse...

O título me lembrou a música "Meu maracatu pesa uma tonelada" de Nação Zumbi. Como é uma música bem pernambucana, fiquei pensando se seria sua inspiração. Mas, sei lá.

São estilos. Tem gente que escreve coisas leves, tem gente que escreve coisas densas. Dou mérito aos dois, desde que bem escritos.

Beijos.

re disse...

Seriam os bons amantes seres cheios de imaginação?
Imaginação pesa? Ou nos torna leve?

De acordo com Vygotsky, absolutamente tudo que nos rodeia e que foi criado pela mão do ser humano, ou seja, todo o mundo da cultura, ao contrário do mundo natural, todo ele é produto da imaginação e da criação humana
baseada na imaginação.
Quanto te leio vejos suas asas e suas correntes.

Lucas disse...

: D tú ta ficando agressivo mesmo ein. Mas no bom sentido, do peso na escrita e da ação direta em direção ao leitor. : ) Vejo uma diferença grande de quando entrei aqui pela primeira vez e hoje. E isso me agrada, é vida.