15.1.09

Meme literário

Memes são recursos novos aqui no Zaratustra tem que Morrer. Inéditos. Não vou muito com a cara deles pois me cheiram àquelas maldições que constantemente passavam no flog e aqueles caderninhos de meninas de 10 anos que, querendo saber sobre a vida das pessoas e saciar suas pequeninas curiosidades demoníacas, organizavam um verdadeiro interrogatório nas muitas páginas dos cadernos de brochura. Acho que foi aí que tive o primeiro contato com a palavra idem, que nos dias de hoje me atormenta devido às regras da ABNT para citações.

De qualquer maneira, esse meme é sobre um bom assunto: literatura. A pessoa que o passou a mim, mesmo não o fazendo diretamente, foi a Marina, do blog Do fundo do mar.

 

1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância:

As Fábulas de Esopo, lógico. De que outra maneira eu aprenderia tão rigorosamente como se interpretar uma metáfora? ou como um texto, em toda a sua desenvoltura e estrutura, deve conter um objetivo em si, ou, mais simplificadamente, para crianças, uma moral? Não há como não achar uma aplicação prática em histórias tais quais A raposa e a uva, A tartaruga e o lobo, e por aí vai. Atualmente, capitalistas transformaram essas histórias em uma espécie de auto-ajuda "do-it-yourself" para alcançar maiores lucros e ser alguém "respeitável" nessa complexa sociedade em que vivemos. Oh.

2. Livro/Autor(a) que marcou sua adolescência:

Fico dividido entre Machado de Assis e George Orwell. Ambas as escolhas se devem a capacidade destes autores de saber desnudar a realidade diante de nossos olhos tão afeitos à ingenuidade e à cegueira. É triste, no entanto, que coloquem Machado para ser lido tão cedo nas escolas brasileiras. Os pobres aborrecentezinhos mal sabem desvendar as linhas truncadas, a ironia fina e a metalinguagem da pessoa que julgo ser o maior escritor brasileiro. Guimarães Rosa que me perdoe, apesar de também ser incrível. No tocante a Orwell, considero-o um gênio, por saber fazer poesia com coisas sérias e tristes. É assim que vejo 1984: uma grande angústia e desespero presos dentro do ser, incapazes de se libertar devido à brutalidade de "botas" que massacram o pobre coitado. Um dos poucos livros que me fizeram chorar.

3. Autor(a) que mais admira:

Aqui também me divido: fico entre Rubem Fonseca e Milan Kundera. O primeiro por seu histórico de vida, um delegado que passou a escrever, e de forma brilhante, adianto. Cada história sua, cheias de mistério, violência, instinto, aquele ar soturno, são como um longo fôlego tomado antes de se dar conta do óbvio: o ser humano é cruel. Recomendo a leitura do livro 64 Contos de Rubem Fonseca e A grande arte. Milan Kundera é um escritor tcheco do século XX, famoso por seu A insustentável leveza do ser. Não há como resumir um livro desses, é simplesmente uma aula, uma aula sobre a vida, sobre sentimentos, amores, dores, a relação da linguagem com a sociedade e as sensações, e até história e geopolítica. Kundera parece ser alguém que entende o ser humano, de cabo a rabo. Outro que me fez chorar. De depressão. Livro pesadíssimo.

4. Autor(a) contemporâneo:

Colocaria Rubem Fonseca aqui novamente, por seu ultrarealismo. Tenta-me colocar, também, Gabriel Garcia Márquez e José Saramago, por sua "latinidade" e variedade de temáticas.

5. Leu e não gostou:

Queridinhos dos aficcionados por rankings de bestsellers da Veja: Marcos Zusak e Khaled Hosseini. Não li A menina que roubava livros, livro em que, provavelmente, Zusak está mais maduro como autor, já que todos falam bem do livro. Porém, a obra dele lida por mim, Eu sou o mensageiro, é a perfeita tradução de: "tenho 18 anos e quero ser escritor!!!", sem, no entanto, saber nada sobre escrever. Tenta ser moderninho mas acaba sendo patético. O caçador de pipas, de Khaled Hosseini, é um amontoado de clichês que não me comoveram nem por um segundo. Não vou nem citar Dan Brown para não ser repetitivo.

6. Lê e relê:

Ficção científica. Qualquer coisa de Isaac Asimov. Já leram a trilogia Fundação? Também cito Robert Heinlein com seu Um estranho numa terra estranha, que foi uma de minhas melhores leituras (o melhor final que já li, junto de Admirável mundo novo). Leio e releio Voltaire também, para ter em mente sempre o significado da palavra "sarcasmo". E na esteira desse sarcasmo hilário, a fantástica obra de Douglas Adams: Guia do mochileiro das galáxias e suas continuações.

7. Manias:

Antes de começar um livro sigo sempre um leve ritual de ler primeiro as informações sobre o autor e a obra. Depois escolho uma página qualquer, ao acaso, e leio algumas partes, para ver se o estilo do autor me é aprazível. Se eu gostar do livro, vou me preparar para ler seu final como se estivesse me preparando para encontrar a menina mais linda da cidade: é a parte mais especial do livro, a que vai me deixar deprimido, como usualmente acontece, tanto pelo texto acabar de forma triste, como pelo fato do livro ter acabado; ou que me deixará feliz, no caso de acontecer algo extremamente bom aos protagonistas. Vou confessar que adoro quando isso acontece. Autores são meio sádicos, sempre fazendo seus personagens sofrerem.

8. Quero ler em 2009:

Em 2009 darei seguimento às leituras de Saramago e Gabriel Garcia. Encontro nos dois similaridades à minha maneira de escrever. Ando lendo Amor nos tempos do cólera, ao que será seguido, provavelmente, por O evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago. Gostaria também de ler O Filho Eterno, de Cristovão Tezza, que ganhou muitos prêmios em 2008. Umberto Eco, Douglas Adams, Carlos Ruiz Zafón, entre outros, também estão na mira. Além dos livros de Direito...argh...

 

Bem, é só. Também não irei passar esse meme adiante. Mas para quem se interessar por ele, sinta-se à vontade e mande ver no ctrl c+ctrl v, é uma boa experiência!

5 comentários:

Marina disse...

Eu acho que a literatura brasileira é prejudicada porque os livros são passados como obrigatórios pro vestibular. Acho isso chato, como se os escritores não fossem bons só porque você é obrigado a ler. A pessoa cria aversão. É complicado você ter que aprender uma coisa que não tem maturidade para entender naquele momento. Daí as pessoas crescem e acham que ler autores internacionais é cult, sendo que esses livros nunca vão ter uma expressão completa da língua brasileira, porque são meras traduções.

De Gabriel Garcia Marques, eu estou lendo Cem anos de solidão. Faz séculos que comecei, parei no meio pra alguma prova, acho. Tenho uma lista enorme de livros que parei na metade. E pretendo ler Saramago assim que tiver tempo.

Quanto às manias... Cada doido com a sua. Hahaha! Quando você gosta do livro, é normal simpatizar com algum personagem. Eu geralmente gosto de personagens estranhos, do núcleo cômico ou algo assim; nunca protagonistas. Protagonistas são chatos.

Gostei das suas respostas. Estou esperando outras pessoas responderem para eu fuçar.

A_for_Anetta disse...

Quero ler outra vez Amor nos tempos de cólera, foi um dos livros que eu mais amei! Kundera deprime mas é demais! 1984 também deprime, mas também é demais. Gosto mesmo é de ler quando estou triste, fuga da realidade sabe...
E vou reler O guia do mochileiro para poder ler os outros livros que minha irmã ganhou *_* E empresto pra você, mas só depois que eu ler =x

=****

ps: deu vontade de postar esse meme =B

A_for_Anetta disse...

Ah, e Machado de Assis e Eça de Queiroz foram as únicas coisas que salvaram do vestibular fracassado...

karen disse...

eu não sei escolher qual prefiro entre Machado de Assis e Guimarães Rosa. fico espantada com a genialidade desses caras. citaria ainda Clarice Lispector.
falando sobre obrigatoriedade de livros pra vestibular, eu fui a única pessoas que conheço que leu os livros da Fuvest e gostou de todos. :P inclusive, foi por essa obrigatoriedade que abri os olhos pra literatura artística num geral, principalmente a brasileira. tá, isso foi dois anos depois do colegial, mas mesmo assim. acho que eu não teria pegado esses livros pra ler caso não fosse obrigada. agora estou lendo O Guarani e estou gostando, veja só. :P
e A Menina Que Roubava livros não é de todo ruim. quer dizer, a história é bonitinha. mas o cara realmente não sabe escrever, ou eu sou muito chata. o jeito que ele escreve me irritou profundamente. e nem falo nada de O Caçador de Pipas, achei um livro fraquíssimo. Dan Brown eu gosto. huehue não acho genial, só acho uma boa leitura pra distração, nada além disso.
A Insustentável Leveza do Ser é meu livro favorito, talvez. tive surtos de desespero quando li a primeira vez. haha, foi tenso.
e eu sempre leio a última página do livro antes de começar. haha
e tenho mais de uma centena de livros numa lista de coisas a ler. :~~~

Atre disse...

Olha que me deu até 'saudades' de ler...

De ler MAIS do que leio hoje, já que acabo me perdendo e me rendendo ao PC.

Leitura acaba ficando naquelas famosas 2 ou 3 páginas antes de dormir...E no fim, entendo as palavras, mas acaba não compreendendo o significado total delas.

E nos livros isso é um ato imperdoável..

Abraço...e continue lendo!!!