28.11.08

Pausa para caridade

Para provar que o Zaratustra tem que Morrer não é um blog insensível, egoísta e desantenado dos problemas corriqueiros do cotidiano, resolvi atender a uma solicitação de ajuda que a Fê Guimarães do Quer um Bicho? gentilmente me pediu.

Mr_T_BA Do que você chamou o blog do meu amigo? 

Ela criou o blog com o intuito de estabelecer um canal de adoção para animais abandonados na cidade de Londrina. E vou te contar: só na UEL deve ter uma população de cachorros soltos maior do que a população do Acre.

Então se você for uma pessoa com muito amor para dar e não tiver filhos pentelhos nem namorado(a) carente, contate a Fê e adote um bichinho!

ATgAAAByghTysm2OfPJYLrQZwldCzBuVcdxFs7zJRvlwA9oBPEs0vTmPJXQ3exhFcAo2M2s_6-q22rAODP_KwtDyXiHIAJtU9VBZReW00-yzX5KeNOktxOXRLVIJUA  Cachorro-modelo posando para campanha humanitária. Fotos: JR Durão.

Agora podemos prosseguir com a agenda de difamação, ironia e realismo em doses homeopáticas.

25.11.08

Rua Piauí, 191, Ed. Centro Comercial

Do vigésimo andar do idoso edifício podia contemplar toda a região norte da cidade, bem como partes das regiões leste e oeste, revelando mais prédios, muitas árvores, obras, casas, veículos, etc. De fato, aquela janela no topo de seu mundo abria vistas para um horizonte, um rumo. Admirando a beleza da cidade, concluiu:

londrina 

- Essa cidade é uma princesinha.

Não o dizia pejorativamente, tampouco esboçava trejeitos de velho bêbado cheio de péssimos adjetivos para se referir às mulheres: não conceituava a cidade como chuchuzinho, belezinha, gostosa ou o que valha. Não. A cidade era uma princesinha, e era assim pelos motivos mais simples e didáticos: era única e bela.

Isso era o de menos e logo sua cabeça voltou aos problemas usuais. Recostou-se à parede abaixo da janela e pensativo ficou, coçando a rala barba que se espetava no queixo.

Olhou em volta e viu a enorme sala: alguns traços de deterioramento, nada grave. O chão de taco riscado, os sofás rasgados, o hack insólito, a mesa de madeira simplória. Faltava algum amor pela coisa coletiva ali. Talvez a falta de uma decoração, um toque daqueles de mãe.

Não ousou percorrer o resto do enorme apartamento, já cansara de descrevê-lo em seus escritos, em seus pensamentos, em seus relatos, em seus sonhos. Observar era cansativo.

Era um daqueles casos em que se deve esquecer o amor.

E a sorte do garoto era que, ao menos, esse amor não envolvia o coração frágil e quebradiço de uma pobre dama, ainda que as mulheres tenham seus corações da carne mais firme e resistente. Não. Tal amor abandonado deveria deixar para trás cimento, cal, madeira, gesso, enfim, tinha prazo para sair daquele apartamento. Improrrogável.

Se ao menos se conquistasse aluguéis com poesias e rosas, pensou. Mas pensou em vão, pois, muito contrariamente, aluguéis (ou alugueres, como ousava insistentemente afirmar o rígido prof. de Direito Civil) são conquistados à base de suor e esgotamento. Fianças, então, exigem sangue e sacrifício, quando muito, um braço ou dois. São as inversões.

Dali poucos dias passaria no depósito de qualquer supermercado, pegaria caixas de papelão das que aparentassem ser mais higienicamente resistentes e, com elas, iniciaria o processo de mudança, pela quinta vez em dois anos.

Iria para uma pequena pérola. Um desses achados, que passam despercebido até mesmo dos astutos corretores de imóveis, gente que o desagradava pelos mais diversos motivos.

Lá, para variar, como sempre, tentaria ser feliz.

24.11.08

Ausente? Eu?

Minha ausência se explica por diversos fatores, tais como: monitor dando problema, assistência técnica preguiçosa, inúmeras provas de final de bimestre, busca por um apto decente e os já usuais problemas de ordem pessoal, como morar com gente escrota que não me quer mais por perto pelos motivos mais esdrúxulos e falta de estágio e, consequentemente, grana.

Relevemos. Logo volto a postar, imprimindo o ritmo de postagens de anteriormente.

Aquele abraço a vocês que, apesar de poucos, me fazem ter orgulho de me expressar pela escrita.

12.11.08

Tremores fiscalizados

Eu estava convicto de que escreveria hoje um texto sobre minha recente experiência de ser fiscal de um processo seletivo quando me deparei com a seguinte manchete:

Professores chamam PM para conter briga de alunos em SP

Segundo estudantes, confusão começou com discussão entre 2 meninas.
Jovens começaram a depredar colégio, destruindo carteiras e janelas.

Continuar lendo…

A intromissão da reportagem caiu-me como uma bomba, pois entra em conflito com tudo o que vivenciei no último domingo, durante as 8 horas em que permaneci no local de prova. O que me força a chocar as duas matérias.

82_jan03_-_child_crying Vestibulando usual antes de fazer a prova, também conhecido como protocalouro

Domingo, 11:05. O terminal urbano já demonstrava sinais de lotação. Linhas de ônibus haviam sido modificadas com o intuito de melhor comportar a demanda que se instalaria naquele dia na cidade. Nesse domingo ocorreria o Vestibular 2009 da UEL, a universidade em que estudo. Quase vinte e quatro mil pessoas concorrendo a uma vaga na instituição.

Dias antes havia me inscrito para ser fiscal do processo, em que logrei sucesso. A apreensão tomou conta de mim, afinal, é alguma responsabilidade cuidar de tantos alunos numa classe e apresentar a lisura necessária no transcorrer do vestibular. No sábado anterior, haviam sido dadas várias instruções, às quais procurei me ater com cuidado, ouvindo atenciosamente as notas da trintona que coordenava minha turma. Para o dia seguinte, o domingo, deveríamos chegar até meio-dia, quando conheceríamos a pessoa que formaria uma dupla conosco e receberíamos os materiais necessários para a aplicação da prova.

Sem almoço e tão aflito quanto como se fosse eu a fazer o vestibular, fui até o terminal e de lá peguei um ônibus para a UEL, posto em que eu seria fiscal. No caminho, pude constatar mais uma vez que eu devo ter cara de guichê de informação, uma vez que todo mundo que me encara vem pedir alguma informação.

P., uma menina que faz Medicina, acabou sendo escolhida para ser fiscal juntamente comigo. Mineira e divertida, acabou me descontraindo, e assim pude ficar mais tranquilo. O problema era que ambos éramos novatos na aplicação de prova, o que não chegou a ser empecilho, pois fizemos um bom trabalho.

Arrumamos carteiras, passamos informações no quadro negro e deixamos tudo burocraticamente em ordem. Logo os alunos começaram a chegar e fomos conferindo os cartões de identificação e os RGs. Gente de Santos, São Bernardo do Campo, São Paulo, São José do Rio Preto, Cascavel, cidadezinhas do Paraná, cidadezinhas do Brasil inteiro. Londrina é uma salada multiétnica e multicultural e até agora eu só não vi gente do Acre aqui – o que é escusável, uma vez que o Acre não existe mesmo.

14:00. Portões fechados, ordens de começar a prova. Passadas as instruções, distribuí os cadernos de prova e as folhas de resposta. As instruções taxativas, atraíam cada olhar inseguro dos vestibulandos e logo pude perceber o temor deles em relação aos fiscais, em relação a mim. Minha simples aproximação causava tremores nos mais inseguros e isso me divertia, não por sadismo, mas por imaginar que, se eles soubessem que sou um cara simples, que estuda ali e que só é fiscal para descolar uma graninha, não ficariam tão aflitos e nervosos. Eu mesmo, que um dia já estive sentado no lugar deles, me sentiria muito mais calmo e tranquilo se soubesse disso.

Agora eu estava do lado oposto e eles nem sonhavam que eu era um rapaz normal, ainda que estivesse usando calça jeans e all star. Encurvados sobre as carteiras para a feitura da prova, pareciam antílopes comendo pasto no seringuete. E ao menor rugido do leão-fiscal, viravam a cabeça para cima, ao mesmo tempo, como fazem os quadrúpedes quando houvem um ruído suspeito se espreitando para caçá-los.

Esse temor todo, no entanto, me causava alguma comoção. Estavam ali alguns pobres coitados, estudantes de ensino médio ou de cursinho que botaram na cabeça que uma vaga na universidade é realmente uma peça fundamental para o sucesso profissional, um passo importante para o futuro, um elemento essencial na construção do ser. Nessa ingenuidade típica de idealistas, mal sabem eles que o papel da universidade é relativo, que uma vaga garantida não traz evolução intelectual, não resolve seus problemas, pelo contrário, aumenta os horizontes das preocupações. É lógico que não posso tripudiar da minha conquista, porém, como muitos outros, ao chegar onde estou, pensei, com certa decepção: “é isso?”.

Se soubessem que toda a diversão do mundo não está na faculdade, que não há tanto sexo e álcool quanto os filmes americanos os fazem acreditar, que a corrida por um estágio é tão cruel que desampara a todos, que a dificuldade financeira é uma realidade presente, que o nível das aulas muitas vezes deixam a desejar até mesmo para o ensino médio, que a falta de engajamento afeta a muitos e que, definitivamente, o mundo não pode ser mudado radicalmente a partir dali. Ah, se eles soubessem…

Entretanto, essa ingenuidade me anima, pois de qualquer maneira eles têm uma esperança. E depositam tanta esperança numa simples prova - que não conseguirá jamais apreciar todos as capacidades que um aluno pode apresentar - que tremem de medo quando passo perto deles ou quando seguro em seus dedos para recolher suas digitais.

É por essa esperança ingênua que a notícia da rebelião dentro da escola me choca. Onde está a esperança de vândalos? De animais bárbaros? Alguém ali, naquela escola que alimenta cotidianos de uma penitenciária, vai depositar esperança numa prova? Numa chance de alcançar o tão sonhado futuro?

Em suas ignorâncias vazias e irracionais, estes pequenos marginais se atêm à mundanices das mais fúteis, brigam por nada e nada sabem sobre civilização. Sua educação vem estragada de berço e acham mesmo que o fato de uma pessoa ser de um bairro diferente os autorizam a agir feito bandidos. Burros demais para entender algo básico: somos todos iguais.

Esses jamais tremerão perto de mim, pois jamais estarão numa sala de vestibular. Eles não têm esperança, logo, não têm futuro, há não ser que se arrependam. Ou alienem seu futuro para o crime, o que de maneira alguma se caracteriza como futuro, mas sim como caminho direto e certo para o caixão, ou para a prisão, ou para o remorso.

Num país em que polícias entram em confronto entre si, em que órgãos de inteligência iniciam guerras fratricidades motivados por politicagem, em que presidente da mais alta Corte apresenta a mais reles baixeza ao lidar com seu cargo e em que um delegado, ao cumprir seu serviço, passa de herói a vilão em questão de meses, bem, lamento vos informar, mas, nesse país, a esperança morreu, e todo tremor será castigado.

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Em tempo: Saí de casa 11:00 e cheguei 20:40. Ganhei R$80,00. É mole?

7.11.08

Tudo aquilo que ignoramos

Quão atentos são seus olhos? Quão perspicaz é seu cérebro? O que capta sua audição? Seu corpo trabalha para que você consiga sentir inúmeros estímulos durante seu dia, mas você presta mesmo atenção em tudo que está ao seu redor?

Quantas vezes no seu dia você pára para olhar o entorno e notar o que o cerca? Em suas apressadas andanças pela cidade, quantos detalhes você consegue apreender?

Quando cansei de correr, pude parar para respirar e perceber a vastidão da vida, seus enraizamentos, suas multidões, as milhares de probabilidades resultantes de cada pequeno gesto que dela advém.

O pobre peruano que, de olhar triste na praça, emprega todas as suas esperanças na possibilidade de que consiga vender algum CD com suas tradicionais e ruins músicas tocadas na flauta-de-pã; o idoso que, sentado ao banco, observa a agitação do vai-e-vem e se perde em memórias inúteis, relembrando algo que já está gasto; a pomba sem uma das patas vermelhas e sujas continua sua laboriosa luta para conseguir comida, num pendular e cansativo movimento de cabeça; a senhora de bengala, numa inimaginável conversão de valores, acaba por ter de ceder o lugar ao retardado no ônibus, enquanto jovens saudáveis permanecem devidamente sentados e acomodados em seus bancos e prepotências; o cheiro doce de chocolate e mel que a loira do 18 exala impregna o elevador durante horas, e seus encantos vão sempre parar, assim que desce do elevador e sai do prédio, num bonito e caro Audi, onde ela adentra com seus volumosos peitos em decote, sabe-se lá para fazer o quê. Esses são exemplos que comprovam que em cada canto há um acontecimento que seus olhos deixaram de registrar, talvez por cansaço, talvez por desatenção, talvez por ignorância.

Não tenho lá grandes dons e conhecimentos acumulados em vida. Tenho, porém, a paciente capacidade de observar e, com isso, entender pouco a pouco esse quebra-cabeça complexo de peças faltando que é o mundo, que é a vida.

Se quer um conselho, pare por um momento e observe à sua volta. Observar é aprender e aprender é evoluir, é saber como lidar com o mundo. Uma pessoa que se fecha em si nada observa. Conseqüentemente, a visão dela é limitada, sinuosa, estreita e ela se aprisiona em egocentrismo e incompreensão, incapaz de entender qualquer coisa que não seja as aspirações de seu próprio umbigo…

- Estação central, anunciou a melíflua voz.

Interrompeu de pronto sua leitura, aproveitando para dar uma última e ensaiada ajeitada em seu paletó enquanto desembarcava do trem sem esbarrar os olhos em nada nem ninguém. A caminhada até o prédio da reunião importantíssima levaria alnda bons minutos e queria ter com o que se distrair até lá, razão pela qual aumentou com esmero o volume de seu player. Estava agora irremediavelmente confortável, em seu particular momento musical, com Every little thing, Beatles.

4.11.08

relMIRPT: “eleições americanas”

Relato nº 89.255.789 da Missão de Investigação e Reconhecimento do Planeta Terra (MIRPT)

Ter>hum>soc>pol:

É com grande alvoroço que os terráqueos vêm observando a escolha de seu novo líder tribal chamado de Presidente dos Estados Unidos da América. Este terráqueo, que possui o poder de determinar os rumos da sociedade humana, é escolhido por meio do que os terráqueos chamam de “voto”. Dizem os terráqueos que o “voto é uma arma” e constatamos que estão inteiramente certos, pois com o tal do voto eles conseguem destruir grande parte de sua natureza, cidades, cultura, entre outros. Analisamos os dados da última caçada, digo, da última eleição, do “país” chamado Estados Unidos da América (aquele que sempre nos derrota e humilha em seus “filmes”) e percebemos que os “eleitores” (aqueles que fazem uso da arma “voto”) “americanos” (os únicos capacitados a decidir o futuro do planeta) elegeram o símio George Walker Bush, um chefe guerreiro de uma dinastia belicista que incitou inúmeras guerras e revoltas ao redor do globo, não aderiu ao plano de resgate à vida e à natureza chamado “Protocolo de Kyoto” elaborado pelos outros “países”, inventou mentiras com o pretexto de proteger sua sociedade contra terráqueos de barbas longas, que se vestem em longos trajes, usam tecidos em volta da cabeça e rezam para uma divindade chamada “Alá” e, além de tudo e mais um pouco, colaborou com a desordem de um sistema imperfeito, cruel e injusto a que os terráqueos denominam capitalismo e ao qual defendem com ferocidade.

Disputam o novo posto de líder tribal os símios chamado Barack Obama e John McCain. O primeiro, pelo que aponta nossas pesquisas, causa mais alvoroço entre os “eleitores” do que o segundo, que segue a dinastia do chefe guerreiro Bush. Obama lembra muito um de nossos antepassados que visavam a uma sociedade mais justa e igualitária sem, no entanto, ter a mínima idéia de como fazer isso.

Ressalvamos que não há qualquer suspeita de que o novo líder tribal descubra nossa identidade e que estamos presente em seu planeta, portanto, rechaçamos qualquer exigência de reforços e de ações deletérias de memórias humanas. Vamos prosseguir com nossa missão, de olho nos movimentos do novo líder tribal a ser escolhido.

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Acompanhe o relatório clicando aqui.

2.11.08

Da série: "sabe como eu sei?" (neo-nazi)

- Sabe como eu sei que você é neo-nazista?

- Como?

- Você tem uma fé cega na sua ideologia...

Cacilds!

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