6.3.08

Quando pensei em Augusto dos Anjos

Do trajeto simbiótico

Confabulados em meu silencioso íntimo
Consagram-se, sobretudo, não um, mas dois
Sentimentos carnívoros que de nada ínfimo
têm, ordinária natureza humana sendo pois.

Antropófagos, saciam-se vorazmente do meu ser
Alterando-me na visão pedante do mundo,

ora fazem-me o vindouro profeta do saber

ora relegam-me a um arrogante e pesaroso imundo

Nada mais é do que maldita ambivalência,
Dualismo doentio, louco e sem socorro
Em eterna guerra de ociosa complacência

Quando dois for, por fim, morro.
Renasço num dos lados da minha viciosa simbiose
Para continuar o trajeto desta infinita metamorfose.

(V.H. de Araujo Barbosa)

Um comentário:

A Menina dos Olhos de Caleidoscópio disse...

"Nada mais é do que maldita ambivalência,
Dualismo doentio, louco e sem socorro"

não tem pra onde correr