3.11.07

Too late for your Halloween

No dia 31 de Outubro as pessoas costumam comemorar o Halloween, também conhecido como Dia das Bruxas, evento de origem celta e comemorada especialmente nos países anglo-saxônicos. No Brasil, país tão influenciado pelos yankes, as comemorações desse dia atípico ao nosso folclore crescem cada vez mais, ano a ano.

Longe de querer entrar no mérito do patriotismo e nacionalismo, gostaria de analisar a maneira como essa festa é celebrada: pessoas fantasiam-se de maneira lúgubre e mórbida, geralmente com algo associado à terror e morte, e vão, de casa em casa, pedir doces.

Dia especial, comemoração especial. A morte nesse dia é encarada sem o peso de sua realidade. Caveiras e jacks (as abóboras (pumpkins) com sorriso macabro que servem de lanterna na decoração do Halloween), são as figuras mais recorrentes desse dia. Até mesmo meu irmãozinho fez um jack em sua escola (ele estuda em uma escola bilíngue).

Felizes são essas pessoas que resguardam o lado negro da vida para o dia 31/10! Supõe-se que basta esse dia para que reparem nas coisas sujas da vida. Meu Halloween não possui data especial, tampouco lugar especial para ocorrer. Está em cada rua, calçada, casa, prédio, elevador, enfim, está no sorriso cínico daquele que engana e manipula, tão mais cruel que a perversão de um serial killer. Meu Halloween está nas notícias de estupro, de seqüestro, de tortura, de pedofilia. Mas aqui não há nenhuma bruxa que deseja apenas engordar as crianças para comê-las, há algo ainda muito pior do que a fantasia exacerbada deste dia anglo-saxão. Algo real.

Meu Halloween está também na mendiga que, maltrapilha e fedorenta, olha-me suplicante da calçada em que está despejada, e não pede "Doces ou Travessuras", mas dinheiro para alimentar seus filhos. Meu Halloween é eterno e ninguém nunca se despe de suas fantasias, pois estão coladas à pele, inseparáveis. Meu Halloween ocorre durante 364 dias do ano, quando ninguém acha graça do tétrico, mas tétricos são, na medida do socialmente aceitável.

O Halloween está bem à nossa volta. E não há nenhuma Inquisição que dê conta de acabar com essas bruxas.

4 comentários:

Tyler Bazz disse...

Concordo que o "mundo real" hoje é todo cheio de terros, todos os dias são de bruxas...

Mas, "dia anglo-saxão", "dia atípico ao nosso folclore", discordo.

Sempre aprendemos que nosso país foi formado por europeus, índios e negros. Então por que só considera-se folclore brasileiro o que é lenda indígena? Fomos colonizados pelos portugueses, que vieram de Portugal, região que pertenceu por muito tempo aos... Celtas! Sem contar todas as outras etnias/nações/povos da Europa que desembarcaram aqui...

Não me venham dizer que o Brasil não tem nada a ver com o Halloween!!

(curtiu o stress, hein.. AUHAuaUH)

Marcelo Ramalho disse...

Fala, meu caro.

Pois bem, interessante a comparação do dia das bruxas às bruxas que circulam em nosso país. O terror fantasioso de um com o terror eminente do outro. Devemos concordar que essa questão torna-se cada vez mais fantasiosa a ponto de transformar-se em história, bem como o Halloween. Talvez porque saibamos que é algo a ser solucionado não pela força de vontade de cada cidadão, mas pela opressão a que nós mesmos já nos acostumamos ao longo da história do Brasil. Legal o texto. Sem mais delongas, eu.

Gilberto Puppet disse...

Triste é a nação que tem 365 dias de Halloween...

¨*·.¸Monike¸.·*¨ disse...

Bom, em certos pontos concordo e discordo...
Ei olha, também tenho meu cantinho para desabafar minhas asneiras ;D