1.8.07

A trilha que me conduz até aqui


Dwayne: I wish I could just sleep until I was eighteen and skip all this crap-high school and everything-just skip it.
Frank
: You know Marcel Proust?
Dwayne
: He's the guy you teach.
Frank
: Yeah. French writer. Total loser. Never had a real job. Unrequited love affairs. Gay. Spent 20 years writing a book almost no one reads. But he's also probably the greatest writer since Shakespeare. Anyway, he uh... he gets down to the end of his life, and he looks back and decides that all those years he suffered, Those were the best years of his life, 'cause they made him who he was. All those years he was happy? You know, total waste. Didn't learn a thing. So, if you sleep until you're 18... Ah, think of the suffering you're gonna miss. I mean high school? High school-those are your prime suffering years. You don't get better suffering than that.

_________________________

Esse diálogo faz parte do filme Pequena Miss Sunshine, de 2006, ganhador de 2 Oscars. A conversa se dá entre um adolescente problemático e obstinado, leitor de Nietzsche (Dwayne) e seu tio homossexual, de tendências suicidas (Frank).

Fazia tempo que eu não presenciava algo tão singular num filme. Vocês sabem, a maioria dos filmes hoje é aquele apelo excessivo pelo visual, pelos efeitos, cenas de sexo, briga, ação, enfim, é uma surpresa agradável quando se encontra um diálogo simples desse num filme igualmente simples, de orçamento risível perto das grandes produções e que, entretanto, conquistou muita gente, devido à sua singeleza.

Eu nunca li Proust, juro que fiquei tentado a lê-lo depois do filme, mas alguém já tinha pego o primeiro volume de uma série de livros dele na biblioteca da Universidade em que estudo, talvez com a mesma intenção que eu: conhecer a vida e o modo de escrever de um sofredor de carteirinha.

Constantemente nos esquecemos de como alguns acontecimentos têm impactos tão marcantes em nossas vidas. Quero dizer, buscamos sempre a felicidade, mas o que ela traz a nós? Prazer e paz. Que conhecimento se tira do prazer e da paz? Nenhum. Buscamos indefinidamente esse mimo como se fôssemos crianças, como se quiséssemos retornar a um estado de catarse pré-vida, onde não há nenhum conflito com a realidade, simplesmente um útero aconchegante e quentinho, pronto a repelir obstáculos que podem nos ensinar a caminhar eretos.

Na adversidade, entretanto, com a mente preparada, que maravilhas se obtém para evoluirmos! Não quero dizer que é apenas no sofrimento que se conquista sabedoria. Loucos, bandidos e assassinos podem provir disso, por isso falo da mente preparada, sã. Uma mente que busca aperfeiçoamento e aprende a lutar. Mesmo que lute em busca da felicidade acima citada, ainda assim está passando pelas adversidades e, ao ganhar a batalha, pode perfeitamente ter sua recompensa: a paz!

Por isso me regozijo diante de todas as experiências ruins e infelizes que tive e creio mesmo que elas estão em massacrante maioria perante as experiências boas. Mas não ligo. Se tem uma coisa que me fez do jeito que sou são essas experiências ruins. E longe de erigirem um esquizofrênico sociopata, fizeram antes um garoto que pensa demais e só quer que o mundo seja menos sádico. Mas isso são desejos para outro post.

Sendo assim, que se fodam todos os ressentimentos que ando guardando. Não vou sair por aí perdoando, não, estou longe de ser o novo Messias, mas vou agir como se tivesse resetado grande parte das más considerações que tive com várias pessoas ao longo dos anos. Que aceitem isso ou não, tanto faz. Eu, porém, estou pronto a rir mais e a gozar dos momentos ruins e bons, pois essa é minha trilha, que vou continuar picando em meio a esse mato alto ao meu redor.

5 comentários:

Fadinha... disse...

concordo com voce.. "se tem uma coisa que me fez do jeito que sou sao essas experiencias ruins"
elas ate q sao bem vindas... sao muito uteis!!

se fosse em menor quantidade eu agradeceria... mas ja q eh assim.. pelo menos aprendi bastante coisa!
(eu axo=P)


mas perdoar eh sempre bom..dificil.. demaaaaaais! mas melhor do q ficar guardando s coisas!
=P

;**

Botão World's disse...

Eu acho que a vida tem altos e baixos. Se tudo está tão bem agora, vai chegar uma hora que tudo começa dar errado, é sempre assim. Uma hora da certo, outra errado ,certo, errado. Comigo sempre foi assim! O.o

Tyler Bazz disse...

Eu concordo..
Nada melhor que algo muito ruim para evoluir...

Ju disse...

Isso porque infelizmente aprendemos mais quebrando a cara do que de um jeito menos dolorido.
Mas não precisa ser sempre assim...

De qualquer forma, estamos nos dando um presente quando optamos por crescer ao invés de guardar mágoas tolas dentro de nós. Elas nada nos acrescentarão além de mais dor.

Nina disse...

querido, leia "o que é dialética", de Konder.
isso se resume ao que chamamos de superação dialética.
a principio tem-se a negação; depois vem uma segunda etapa que admito não recordar - não recorro ao livro pois este está em bauru -; e enfim a terceira, mais importante (á qual eu queria me referir) que é a superação qualitativa, aumento do nível.

ah, tantos seres dialéticos.
tantas superações dialéticas diárias...

e eu me sinto tentada a roubar essa transcrição de diálogo.
e vem cá, vc toma sorvete?
;)

adoro-te.
beijos.