3.7.07

Rodka = Victor

O livro grosso, de capa dura azul jaz aqui, ao lado e abaixo da tela do computador, entre tantos outros livros, uns de Direito, outros de filosofia, alguns romances e dicionários.

Pegando-o mais intimamente, observa-se na capa desenhos de contorno dourado que contrastam sobriamente com o fundo azul escuro, seu formato origina prédios que de cara revelam a arquitetura russa. Tal qual o Kremlin.

Acima desses desenhos aparece escrito:

DOSTOIÉVSKI
CRIME E CASTIGO

O romance mais popular desse escritor russo realista do século XIX.

Mas a vista do livro não basta. Começo a lembrar da história.

Rapaz jovem muda-se para longe de sua família para estudar Direito, em meio a uma cidade empoeirada pelo progressismo e positivismo sem limites de sua época, acaba-se às voltas com uma situação em que fica sem dinheiro e nas mãos de uma velha usurária. E adiante a história ganha corpo...

Ora, não é de hoje que me identifico com Rodion Romanovich Raskolnikov, o Rodka. De fato, um dos grandes motivos de eu ter decidido fazer Direito é este personagem, em que eu me reconhecia, apesar de todos os males por ele cometido.

E agora aqui nossas vidas vão se afunilando também, Rodka. Vivo nesse lugar frio e poeirento que é a casa da dona da hospedaria, e vivo às turras com essa velha desocupada,
nessa cidade celebrada por um desenvolvimentismo de araque, porém agradável. Rodka também dava suas escapadelas na famosa rua...na famosa rua que sempre aparece nos romances de Dostoiévski.

Mas mantenhamos distância, Rodka. Não pretendo assassinar ninguém e, tampouco, considero-me um gênio licenciado pela humanidade para matar
. Nesse ponto sou mais cauteloso e inteligente que você, amigo.

Estou muito, muito longe do Gulag. E aproveito isso enquanto puder.

3 comentários:

Fadinha... disse...

"Não pretendo assassinar ninguém"

tem ctz?
eu tenho minhas duvidas...
=p

brincaderinha!!
;D

bjo!

Eilahhh disse...

Crime e Castigo realmente é um livro muito bom. Acredito que todos temos uma certa semelhança com Rodka, já que no final todos nós nos esilamos em cidades poeirentas e supostamente evoluidas (mesmo que seja apenas metaforicamente). Nossos Crimes acabam não consistindo apenas em assassinar "inocentes velhinhas", mas nosso Castigo é sempre avassalador e mental, degradando o humano que já mal existia dentro de nós.

Dostoievski é um Gênio, eu queria casar com ele, mas ele era mais instável que eu, eu acho que mataria ele durante o sono (acabaria matando eu mesma?). E eu gosto das coisas que você escreve também.

Mas ainda prefiro as duas Histórias do livro que te emprestei "A Dócil" e "Sonho de um Homem Ridículo".

Ahhhhhhhh, a prova é o de menos? No meu sonho a prova de Física tinha 100 páginas! AUhauHAUhauHAUhau!!!

Bjs.

karen disse...

gosto tanto quando seus posts são curtos. hauehauheuahuae *chata*

nunca li esse livro. nunca me chamou atenção. :~