4.6.07

O Balançar do Pêndulo

É usual que se considerem os indivíduos como seres retos e que permanecem idênticos ao longo do tempo, como se fossem pedras, a formar uma enorme massa manipulável, um coeteris paribus humano, previsível.

Mas bem se sabe que a teoria foge à prática e vice-versa, e que o peso do indivíduo, quando consciente, é capaz de subverter a lógica da "pedra".

Para não ser, então, considerado uma peça uniforme do todo, que peso há de ter o meu indivíduo? Em que momento posso eu desregular o equilíbrio do mundo e fazer valer meu grito interno?

Aliás, como posso valorizar meu indivíduo sabendo que oscilo sem parar? - imaginando inclusive um suposto transtorno bipolar, ou seria eu só um hipocondríaco?

Meu pêndulo não me permite avançar.

Diz alguém a mim: "aqueles que são bem-humorados conseguem tudo, são especiais". Mas quem consegue ser bem-humorado sempre hoje em dia?

O pêndulo do meu humor me preocupa. Como posso eu rir, ser eufórico, gozar indevidamente do momento e, instantes depois, estar tomado do mais deprimido tédio?

É uma armadilha que tira a autenticidade do meu indivíduo, do meu ser que poderia batalhar. Um paradoxo. Se, por um lado, é preciso autonomia aos indivíduos, de modo a salvaguardar a liberdade, por outro lado, a imersão do indivíduo no egocentrismo tira seu ímpeto e louvor pelas batalhas e a noção de coletividade.

Imerso em meus problemas infinitos, sinto-me ridículo. Como pessoa batalhadora, que segue adiante, portando um sorriso nos lábios, sinto-me frágil. Como equilibrar o pêndulo?

Aristóteles exaltava a felicidade como bem supremo, a ser pavimentado por uma estrada de virtudes. Triste então é a época em que vivemos, onde o máximo que queremos - e que podemos ter - não é a felicidade, mas sim um equilíbrio, que pode levar, porventura, à felicidade. Porém, eu já tenho a realista noção de que a felicidade é fugaz. Do que adianta a tristeza ou a felicidade? Só queremos o equilíbrio.

E quando o pêndulo ceder, seremos tomados por uma catarse da nostalgia. De um tempo longínquo onde as felicidades eram eternas e não havia frustração. Armadilha dos mecanismos da memória.

O pêndulo continua balançando, ao sabor dos ventos do meu humor, tento controlá-lo, a vida em sociedade pede isso, mas é instável, e oscila indefinidamente.

Muitos milênios de vida humana e nenhuma maneira certa de se viver e de se viver bem. O que será de nós?

E com essas indagações tolas, meu indivíduo continua sem peso nenhum no todo, e a sensação de incapacidade e subversão permanece atroz, voraz. Pobre do meu ser!

O pêndulo ainda balança.

Um comentário:

Ju disse...

Ora, se a vida não é justamente isso... momentos. Acho muito válido buscar um equilíbrio, sim. É dessa forma que a gente aproveita muito melhor tanto os momentos bons quanto os ruins (e tem muito o que se aproveitar deles).

Acho que seria muito chato se existisse uma maneira "certa" de se viver bem. E por incrível que pareça tem muita gente feliz no mundo.

=***