12.5.07

Poemas Perdidos

Alguns poemas me tocam a alma e depois simplesmente desaparecem. Acabo de resgatar um deles:

Buscas ouro nativo entre a ganga da vida.
Que esperança infinita no ilusório trabalho
Para cada pepita, quanto cascalho!
Meu primeiro contato com esse poema foi num artigo escrito pelo Rubem Alves na Folha de S. Paulo há alguns anos ou meses atrás.

Ele é singularmente belo, primeiro por sua simplicidade de final de tarde, segundo pela forma divertida como usa as imagens do garimpo para retratar a decepção que sentimos enquanto procuramos por aquilo que valeria nossa vida.

Esse é só um dos vários poemas que já encontrei por aí, perdidos, como cães sem dono, que me tocaram mas que desapareceram tão misteriosamente como surgiram.

Procuro desesperadamente por um deles, não faço a mínima idéia se é da Helena Kolody, Hilda Hilst, Clarice Lispector ou da Adélia Prado. É um poema que retrata dois tipos de mulheres: a do passado e a do presente. A dona de casa e a proletária. Diferenciando-as pelo cotidiano e rotina, mas aproximando-as na melancolia e no desejo de uma vida melhor, através das lágrimas que vertem, escondidas. Eu queria dedicá-lo à minha mãe num cartão para o Dia das Mães, mas quem disse que eu o acho? Nem o google ajuda.

O mais triste é notar que alguns sentimentos são como esses poemas: evaporam-se por mais sólidos que tenham sido um dia.

Vou à caça dos poemas perdidos, mas e dos sentimentos perdidos, devo?

Acho que não.

4 comentários:

Ariadne Celinne disse...

Sentimentos perdidos? Um dia eles voltam... não da mesma maneira, mas voltam.

bjsss e boa sorte na busca pelo poema.
xD

Lígia disse...

dos sentimentos perdidos principalmente!

..e por que você não escreve um pra sua mãe?

=**

ligia again disse...

..um poema, digo.

Ju disse...

Nada precisa ser eterno. O que passou teve o seu tempo.
Talvez devêssemos dar mais chance para o novo surgir, ao invés de constantemente tentar resgatar aquilo que já não nos preenche mais.