30.5.07

Always the Same

Havia uma música do Static-X, chamada My Damnation, que tinha um refrão bem repetitivo. Dizia indefinidamente:

Always the same
Always to blame
Always the same
Over and over it's my damnation

Refrões repetitivos, como todos sabem, grudam na cabeça como um mantra e são difíceis de serem esquecidos.

A toda situação de desgosto na minha vida, onde tudo o que parecia ser algo esperançoso e que iria me fazer feliz acabava resultando em frustração, lá estava em minha mente, como um aviso:

"Always the same"

Mas acabo por imaginar que não são as situações que se repetem, me ferram e que dão com os burros n´água. Sou eu o problema. Sou eu que carrego em mim a semente do fracasso.

Por que, por mais que eu tente mudar, acabo por estragar tudo?

Maldição. Enfim, não quero perder as escassas esperanças. A música ainda diz:

"Go ahead"

Então vamos.

27.5.07

O Labirinto do Fauno

É bobagem dizer "Não julgue um livro pela capa" ou "Não julgue um filme pela sinopse". Esses casos não se aplicam ao Labirinto do Fauno, filme de Guillermo del Toro, 2006.

Ao alugar o DVD, não o peguei despropositalmente, como se achasse uma relíquia escondida. Foi uma longa espera até locá-lo. Uma espera desde o momento em que saiu de cartaz no cinema de Rio Preto (maldito multiplex) após uma semana de exibição (sim, ridículo...) até o dia 20/05/2007, quando foi disponibilizado pelas locadoras.

Toda essa espera sem ter visto sequer uma pequena sequência do filme. Toda uma espera calcada pela expectativa gerada por uma sinopse.
Espanha, 1944. Oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Ofelia (Ivana Baquero), de 10 anos, muda-se para a região com sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. Além disso, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia descobre um labirinto que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo consequências para todos à sua volta.

A mistura de fantasia com realidade, envolvendo ainda elementos de guerra, história, psicologia e suspense realmente me chamou a atenção. E a boa crítica completou o serviço de me fazer esperar pelo filme.


Ao terminar de ver o filme, senti-me feliz por este corresponder às expectativas. Os pontos altos do filme: coerência, coesão, fotografia, apelo visual e capacidade de prender o espectador encantaram sobretudo os chatos do Oscar, que deram as estatuetas de Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Fotografia ao filme. Merecidamente.


Poucos são os filmes que conseguem me arrancar lágrimas dos olhos, e este conseguiu. Cenas filmadas sob ângulos diferentes, sinuosos, revelando uma atmosfera pesada, propícia para o surgimento da fantasia num mundo hiper-realista...arrancaram-me suspiros de impressão facilmente.

Portanto, está mais do que recomendado este filme que encanta a partir da sua própria descrição, que não precisou de nenhum super efeito especial para me surpreender e que tem todo sua magnificência a partir de sua modéstia. É talvez uma própria lição para heróis da Marvel e bruxos de Hogwarts por aí.

25.5.07

Agenda

Futuramente explico o que é "Stand Alone Complex". E em breve faço uma resenha para o filme O Labirinto do Fauno.

Sou Culpado!

Um dos pontos mais curiosos da filosofia existencialista, defendida por Sartre, é de que as pessoas poderiam exercer seu livre arbítrio até nas doenças. Estando em um barco, por exemplo, enquanto havia pessoas que passavam mal, enjoavam, Sartre dizia que isso não acontecia com ele, simplesmente porque "ele" havia decidido não adoecer.

A verdade é que os existencialistas provocaram um terremoto nas idéias do século 20. Havia boas condições para que isso acontecesse: o mundo tentava entender a Segunda Guerra e seus desdobramentos; a ocupação francesa, a resistência - da qual Sartre fez parte - e ainda incrédulo tomava cada vez mais conhecimento das atrocidades nazistas. Diante disso, uma teoria que desconsiderava Deus - onde Ele havia andado durante o genocídio? - e atribuía a cada ser humano a responsabilidade sobre as coisas era notável.

Sartre produziu uma ficção que tomava suas próprias experiências como argumento. Ao mesmo tempo levava a vida como se fosse ele próprio um personagem de um livro que haveria de escrever diariamente até a morte. Um idealista, mas um prático. Uma das máximas de Sartre diz que "o homem está condenado à liberdade", ou seja, não há uma ordem comum a qual podemos seguir e nos confortar. Cada qual está condenado a ter que optar e decidir por si. E isso vale para o conjunto, é claro, a humanidade. Por mais que as religiões insistam em parâmetros, as razões e conseqüências da nossa existência terão que ser decididas por nós. Sem profetas ou profecias.

Jean-Paul Sartre foi o último dos grandes filósofos. Depois que ele morreu, em 1980, o cargo ficou vago. Talvez essa seja uma das conseqüências da atualidade: muitos nadadores, mas só de superfície. As infinitas criações de formas e possibilidades de expressão atuais não são afeitas a mergulhadores de águas profundas. Os blogs que se proliferam feito baratas no lixo, por exemplo, ainda que anunciem uma possibilidade democrática maior, têm o poder de pulverizar, além de envelhecer, qualquer idéia em poucas horas.

Por outro lado, nunca ficou tão próximo de cada um a possibilidade de existir no sentido filosófico, se levarmos em conta que existir é se exprimir. Só que desse jeito as coisas ficarão inexoravelmente mais descartáveis. Os Sartres, os Nietzsches, os Shakespeares, assim como os Beatles, os Bob Dylans, ou os Fellinis, talvez fiquem inviáveis, uma vez que eles precisarão de tempo para serem compreendidos. E tempo é algo que o mundo da instantaneidade não dispõe.

Sem os grandes artistas, os grandes pensadores, sem uma mídia unificada a ditar as regras de aproximação e conduta, o que sobra é o homem comum, sozinho diante da tela do computador, interligado a outros semelhantes num infinito espaço virtual. Ou seja, condenado como nunca à liberdade.

Este texto faz parte do livro Minhas Certezas Erradas, de José Pedro Goulart editado pela L&PM.


José Pedro Goulart é jornalista, cineasta e diretor de filmes publicitários.

Fonte: Terra Magazine

Sou também culpado por isso? Ora, todos esses grandes pensadores contribuíram para construir o mundo como tal se apresenta aos nossos olhos. Pobre visão limitada a desse jornalista. Haverá um futuro em que o que se configura dentro desses blogs será muito bem exaltado como genialidade, e não me incluo nisso automaticamente, há muita boa matéria a se ler na internet.

Isso é Stand Alone Complex.

17.5.07

Atlas resolve tirar férias

Desde quando Atlas passou o peso do mundo para mim?

Talvez não seja o peso do mundo. Mas o peso das escolhas. Tanto faz! Ambos pesam sobre meus ombros e me fatigam imensamente.

Atlas foi condenado por Zeus a sustentar eternamente o céu sobre seus ombros. Atlas era titã, fez sua escolha ao tentar destruir os deuses olímpicos. Paga por ela.

Mas o ser mitológico cansou-se. Passou o peso a mim, ou talvez parte dele. Seria também pelas minhas escolhas?

Não me parecem escolhas erradas. Não são.

O importante é que eu tenha a responsabilidade de carregar esse peso sozinho, reconhecendo minhas escolhas.

Dói, entretanto, dói muito.

12.5.07

Poemas Perdidos

Alguns poemas me tocam a alma e depois simplesmente desaparecem. Acabo de resgatar um deles:

Buscas ouro nativo entre a ganga da vida.
Que esperança infinita no ilusório trabalho
Para cada pepita, quanto cascalho!
Meu primeiro contato com esse poema foi num artigo escrito pelo Rubem Alves na Folha de S. Paulo há alguns anos ou meses atrás.

Ele é singularmente belo, primeiro por sua simplicidade de final de tarde, segundo pela forma divertida como usa as imagens do garimpo para retratar a decepção que sentimos enquanto procuramos por aquilo que valeria nossa vida.

Esse é só um dos vários poemas que já encontrei por aí, perdidos, como cães sem dono, que me tocaram mas que desapareceram tão misteriosamente como surgiram.

Procuro desesperadamente por um deles, não faço a mínima idéia se é da Helena Kolody, Hilda Hilst, Clarice Lispector ou da Adélia Prado. É um poema que retrata dois tipos de mulheres: a do passado e a do presente. A dona de casa e a proletária. Diferenciando-as pelo cotidiano e rotina, mas aproximando-as na melancolia e no desejo de uma vida melhor, através das lágrimas que vertem, escondidas. Eu queria dedicá-lo à minha mãe num cartão para o Dia das Mães, mas quem disse que eu o acho? Nem o google ajuda.

O mais triste é notar que alguns sentimentos são como esses poemas: evaporam-se por mais sólidos que tenham sido um dia.

Vou à caça dos poemas perdidos, mas e dos sentimentos perdidos, devo?

Acho que não.

11.5.07

Revivam!

Por que todos vão perdendo o apetite pela vida conforme passa o tempo?

Olho aqueles que antes lutavam e se esforçavam em ser sonhadores e utópicos. E agora? Agora são apenas pálidas sombras do que foram. Não mais os reconheço!

Vocês me deram o exemplo. Fizeram eu ter vontade de batalhar e ir atrás do que me apetece. Transformaram-me num guerreiro. E agora? Jazem desanimados em seu ninho de realidade! Conformados com o que os cercam, vencidos por mãos invisíveis.

Enquanto isso, me sinto isolado numa luta que antes era de muitos. Sou o inverso? Comecei realista, pessimista, autoritário. Mas fui vencido e me redimi. Rendi-me a um ideal de igualdade e justiça. Mas e agora???

Ju me diz que seguir o caminho não-trilhado é o melhor. Ok, estou no caminho certo então. Mas é pouco iluminado e eu facilmente tropeçarei nele. Levanto-me então, ora, não ligo.

Mas me entristece que aqueles que me transformaram e me ensinaram a ter compaixão pelo próximo padeçam de apatia e não mais caminhem ao meu lado nessa trilha desconhecida.

Sorte a vocês, companheiros.

10.5.07

Nada de novo no front

Épocas vão, épocas vêm. A época que vivo agora tampouco é inédita. Já a defini como a "hora do vácuo" outrora. É também a época da experiência, da prática acima da teoria.

E nessas horas eu não tenho nada de muito significativo para acrescentar nesse espaço.

Os horizontes começam a aparecer, já os visualizo quase nitidamente.

Mas quem liga, não?

6.5.07

Saudade, uma conquista lusitana

Uma lista compilada por uma empresa britânica com as opiniões de mil tradutores profissionais coloca a palavra "saudade", em português, como a sétima mais difícil do mundo para se traduzir.

[Folha Online. Saudade "é a 7ª palavra mais difícil de traduzir". 23/06/2004]


2. Saudade.
Outra sugestiva peculiaridade do português é nossa palavra saudade. (...)

Sem a palavra, nossa percepção da realidade é confusa ou nem sequer chega a ocorrer. Valem para toda a realidade humana as considerações sobre a "latência", que Moles tece em seu livro O Kitsch. Valendo-se de uma metáfora fotográfica, ele fala de uma revelação das impressões confusas, pelo surgimento de um vocábulo: "O surgimento nas línguas germânicas de um termo preciso (‘Kitsch’) para designá-lo levou-as a uma primeira tomada de consciência: através da palavra, o conceito torna-se passível de apreensão, e manipulável... O trajeto científico para conhecer, começa por nomear". De fato, sem a posse da palavra Kitsch é-nos muito mais difícil reparar em que há, no fundo, qualquer coisa de comum entre o pingüim da geladeira, o anãozinho do jardim e oquadro de cores fosforescentes... É precisamente neste ponto fundamental para a educação que Pieper insiste em Das Viergespann: a interação entre a possibilidade de percepção (e vivenciamento da realidade moral) e a existência de linguagem viva.

[Jean Lauand. Linguagem, Filosofia e Educação. http://www.hottopos.com/videtur18/jean.htm]


Saudade. Quem imaginaria que um sentimento tão corriqueiro como a saudade envolvesse questões tão complexas de nível filosófico-linguístico?

Pergunto-me se, caso não houvesse a palavra "saudade" e nenhuma outra que denotasse esse estado de espírito, eu sentiria isso. Pois saudade é o que sinto. E a nostalgia tem me corroído mesmo o ânimo, mas não desanimo, pois minha língua ao menos sabe nomear minha "doença"! Ora.

Universal demais para ser provável. A saudade talvez seja algo que dobraria mesmo um homem das cavernas. Um sentimento do mais primordial e imanente.

E do que sinto saudade? Triste é não saber o motivo! Talvez saudade de um sonho. Aquele, que foi fugaz, mas que me martela a cabeça, desesperado para libertar-se novamente, pois o sufoquei e suprimi cruelmente com a minha obsessão por realidade.

Está na hora das coisas mudarem. PRECISAM mudar. Não posso desistir.

E para fechar o post, passo a palavra à Camões, outro grande mérito lusitano:

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

2.5.07

Cinco músicas que significam muito para mim

The Doors - People Are Strange
Supertramp - The Logical Song
Arch Enemy - Dark of the Sun
The Coral - Dreaming of You
Chico Buarque - Futuros Amantes

Por quê?

Isso só interessa a mim e às pessoas as quais as dediquei.