10.4.07

É simples, Camila

Camila, minha amiga e companheira de poesia e prosa - lembra da Doll on the Wall? - é muito simples voltar a escrever. Eu diria até que conheci um caminho único para isso.

A receita é fácil:

Viva um ano inteiro de angústias sobre seu futuro, traduzido na palavra "vestibular".
Atormente-se com idéias pessimistas e duvidosas sobre tudo ao seu redor.
Arranje um amor platônico distante.
Conheça uma pessoa que, por sua carência exacerbada, vai ser amada por ti e dizer que te ama.

Odeie essa pessoa após alguns meses por qualquer motivo banal.
Tenha apenas indiferença por ela após algum tempo, pois ódio é sinal de vindouro ou findado amor.
Tente compreender que pragas é o futuro que te fez prestar um vestibular que nem estava nos seus planos e a botou lá, renegando seus sonhos antigos.
Quebre ainda mais a cabeça com dilemas atordoantes e que causam insônia.
Entenda que a vida é fé e acaso. E que apesar da sua fé ser forte, não passamos de marionetes do acaso.
Aceite tudo isso ao mesmo tempo e tente harmonizá-los, construindo uma nova vida.
Se nada der certo e você ter sérios problemas com moradia, tendo que mudar toda semana para a casa de algum colega e sentindo uma extrema vergonha nisso, pensa que o orgulho é nada e que a dependência faz de você ainda um verme, mesmo estando na universidade, que você pensou que era o objetivo máximo da sua vida, mas que é apenas o começo.

Ok. Parece mais desabafo do que roteiro, mas eu, sentado num banco de shopping, esperando uma determinada coisa, tirei dos miolos os seguintes parágrafos (queria transformar em versos, mas a crueza deles exige parágrafos):


Todas as minhas dúvidas sobre o mundo são eternas. Jamais serão respondidas.

Correm a minha mente em devassidão, nas horas de solidão, em que o tempo se arrasta, em que EU me arrasto.

Há, vejo agora, porém, uma singela resposta, ou caminho, às dúvidas. E ela é algo como uma respiração atrás da outra, um batimento cardíaco atrás do outro, um instante após outro instante, coisas que desvelam aquilo que convencionei chamar de vida e adiam para algo além do eterno as respostas concretas (pois é assim que todos querem tudo) que espero das minhas cruéis dúvidas existenciais.

Não é lá texto da mais fina estirpe, mas exprime o que sinto e me faz sentir bem, é esse ardor incontido em vomitar o oculto que caracterizo como minha paixão pela escrita, my friend. Espero que tenha entendido.

2 comentários:

Ariadne Celinne disse...

Respostas concretas? Elas existem? Se elas existirem que se mantenham longe de mim, pois o caminho é árduo e o que seria de nós se não pudéssemos perder horas pensando?

Eilahhh disse...

"Viva um ano inteiro de angústias sobre seu futuro, traduzido na palavra "vestibular".
Atormente-se com idéias pessimistas e duvidosas sobre tudo ao seu redor.

Quebre ainda mais a cabeça com dilemas atordoantes e que causam insônia.
Entenda que a vida é fé e acaso. E que apesar da sua fé ser forte, não passamos de marionetes do acaso."

Isso se encaixa comigo... Escrever é algo muito pessoal de cada um (você deve saber, claro que sabe), eu ainda não encontrei meu roteiro, na verdade cada hora eu encontro um, passo um tempo e acabo perdendo. Isso dá trabalho, mas cada vez que passa minhas metáforas melhoram. Isso é uma vantagem. Mas a desvantagem é o simples fato de eu não conseguir ficar muito tempo sem "vomitar as palavras" e quando estou com meu roteiro perdido eu não consigo, resultando em uma angústia profunda e corrosiva (geralmente eu me afasto de tudo e rasgo qualquer pedaço de papel com algum texto meu).

Porém há épocas que eu estou no meu estado "zen" não escrevo nada, mas penso bastante e me contento com isso, posso dizer que estou numa transição de "zen" para "produtiva"... Então, não sei...

Mas devo dizer que eu gostei do post, do modo como você se expressou e principalmente dos seus parágrafos, como sempre, muito bons. =]

Ah... Respostas concretas... O concreto é a base do túmulo dos vivos...

=*