13.4.07

Rousseau descatracalizador



"Os homens nascem livres e iguais, mas em todo lugar estão acorrentados"

Jean-Jacques Rousseau



Rousseau é sem dúvida alguma meu filósofo preferido. Pode não ser aquele que mais se destacou na Civilização Ocidental. Mas mesmo assim é meu preferido.

Contudo, pobre do nosso filósofo francês! Imaginou tantas correntes presas aos homens - ou vice-versa - e nem conseguiu imaginar que no futuro inventariam coisa pior: a catraca.

Triste é a sina do homem preso. Mas ao maior dos custos ele é, pelo menos, ainda considerado homem, com toda a sua integridade física e ... bem, quanto à integridade moral é melhor calarmos. O ponto é: não se acorrenta ou se algema animais - esses são livres ou no máximo, presas.

Aos animais foi destinado outros tipos de encarceramento.

Vejamos os bois, vacas, porcos, frangos, cavalos e etc: domesticados pelo humano, ficaram dóceis à nossa vontade (digo, aos nossos meios de expor a vontade). E assim, adestrados, são sempre visto por nós andando em fileira, passando por mata-burros, ou ocupando seu espaço naqueles caminhões em péssimo estado, sendo condicionados a um processo totalmente industrial aplicado à pecuária. É o problema da eficiência na economia.

Pois então não é que eu, andando por essa maravilha da civilização chamada cidade (tão orgulhosa de ser o avesso da Natureza), vejo humanos sendo enfileirados, adestrados, tratados como meros cães e o pior...sendo submetidos à catraca!

Quão ovelha me parece o homem quando tem seu acesso aos lugares do mundo de que faz parte castrado por esse objeto segregador! Repugna-me a idéia de imaginar que chegamos a tal ponto de adestramento. Aí sim não somos mais o humano algemado. Quer seja bandido ou mártir, o algemado ainda reflete, pode tramar qualquer coisa. Mas e nós, que nos acostumamos a esse banimento da liberdade como meros animais? Vamos todos em ordem, pagando e pagando, gastando e consumindo. E no meio do caminho, para acessar o paraíso temos a odiosa catraca à frente. Esse é o verdade evangelho de Deus? Ou do Capital?

Ora, somos meros cordeiros para ambos!

Não posso mais suportar outro girar da roleta da catraca. O barulho metálico me irrita. Irrita-me o aperto a que ela me expõe e o ridículo que ela faz as pessoas gordas ou deficientes sentirem.

Só as crianças escapam a esse monstro castrador.

Que nos resta então fazer?

Nada. As catracas são o simples reflexo do fechamento de nossas mentes. Elas refletem cada preconceito, cada diferença e cada distanciamento que há na sociedade.

E para acabar com as catracas, é preciso acabar com o mundo como o conhecemos.

Que diria você sobre as catracas, caro Rousseau?

2 comentários:

Ariadne Celinne disse...

Lembrou-me do horror diário ao entrar nos ônibus: o excesso de material. As catrascas adestram tanto que fazem determinadas pessoas a carregarem menos objetos.
Mas não só as catracas dominam as nossas vidas, as filas também, e os corredores onde somos achatados como bois...
pelo menos alguns tem mais de uma saída.

Eilahhh disse...

Eu ADOREI esse post... realmente... Eu fiz uma dissertação sobre catracas, com o mesmo tema, mas não chegou nem aos pés desse seu post (foi no ano passado, eu estava completamente enferrujada e, vc sabe, alterada profundamente).

Posso dizer que com pelo menos 99% do seu texto eu concordo, nunca vou concordar plenamente com algo, isso é de natureza minha mesmo.

Ahhhh!!!!!!!!!!!

=*