30.4.07

A Hora do Vácuo

Existem dias em que não tenho inspiração nenhuma para escrever. Outros há em que eu falaria de mim, mas já também eu me enjôo de escrever sobre mim por aqui.
De fato, sentimentalismo às vezes cansa. E por mais que as pessoas mais próximas a mim digam: "você tem jeito de ser frio", sei que a premissa é falsa.

Agora é a hora do vácuo.

Vácuo para mim é aquela hora da minha existência em que absolutamente nada de concreto ocorre, nenhum evento ou acontecimento importante. É a hora do niilismo mais infeliz que se pode encontrar em moda por aí. É a hora do caos, do rearranjo e do re-equilíbrio, meu micro-cosmo em estabilização, para se adequar aos futuros acontecimentos - esses sim de grande valia.

E até que se aproximem esses eventos, que posso eu fazer?

Já me ensinou a vida que nada adianta correr atrás ou apressar as coisas. Elas virão naturalmente. Logicamente o que me é cabível é cumprido, visto que eu não costumo ignorar as chances que me aparecem. Já ouvi dizer que o maior dos crimes que um homem pode cometer é não saber aproveitar uma chance. É a mesma história do cavalo arriado...

Enfim, é tempo de marasmo. Tempo de nada e nada em tempo. Dias em que acordo e durmo com uma espécie de aflição, uma ânsia por vida e pelos tais acontecimentos. Dói saber que eles podem demorar. Mas não me engano, eles podem estar ali, ao virar a esquina ou ao atender um telefonema, em qualquer lugar, sem aviso prévio.

E até lá só vou acumulando forças e me preparando para gozar de mais um desafio. Que venha!

E que grande bobagem é ter a pretensão de que enjoei de falar de mim, ora!

28.4.07

El Temple!

Quero lhe dizer que estou super orgulhoso em ver a maneira madura e serena (sei que por dentro você fica também super angustiado), com muitíssima garra, com que você está levando e enfrentando a situação. Matando um leão por dia! Outra pessoa com menos fibra já teria desistido. Força e continua firme, filhão!Vou te dar o apelido de: VICTOR HUGO - EL TEMPLE!!!


(Hugo Ramón, meu pai)

Temple:

  1. m. Carácter o estado de ánimo de una persona: temple pesimista.
  2. Capacidad de una persona para enfrentarse con serenidad a situaciones difíciles o peligrosas: hay que tener mucho temple para intentar dialogar con el atracador durante un robo.
  3. Punto de dureza o elasticidad que se da a un material, como el metal y el cristal, mediante la elevación de su temperatura a cifras muy altas para después enfriarlo bruscamente:el buen temple de una espada garantiza su calidad.

Tendo como vida um leão por dia, armadilhas, dificuldades, provações, que ser posso virar eu?

Só acredito em luta. Cada vez mais. E a mudança está se intensificando.

E o olhar...esse continua sempre firme e perscrutador, como afirmava quem ousava encará-lo.

Waiting for the turning point...

Victor, el Temple

23.4.07

um questionário babaca

Parte I:
--Soletre seu nome com bandas ou artistas:

V-elvet Revolver
I-nterpol
C-arcass
T-he Melvins
O-rphaned Land
R-efused

PARTE II:
-- Aniversário: 17/08
-- Nickname: Rada, Banger, etc...
-- Cor dos olhos: castanho-escuro
-- Cores dos cabelos: preto

PARTE III:
-- O sapato que você está usando hoje: chinelos.
-- Sabor de pizza preferido: lombo com catupiry!!!

PARTE IV:
-- Sua característica física melhor: olhos, maxilar
-- Hora de ir pra cama: 23:30
-- Memória que prefere esquecer: namoro

PARTE V:
-- Pepsi ou Coca: Pepsi
-- McDonald's ou Burger King: McDonald´s
-- Adidas ou Nike: nenhum
-- Chocolate ou baunilha: mistura dos dois
-- Cappuccino ou café: cappuccino (frapê, milk shake)

PARTE VI:
-- Fuma: não...
-- Canta: só para mim
-- Banhos por dia: um, no máximo dois
-- Quer ir pra escola: acordar cedo sucks
-- Quer casar: sim
-- Cinetose de movimento: what?!
-- É obcecado por saúde: só por conhecimento
-- Se dá bem com seus pais: completamente
-- Toca algum instrumento: infelizmente não

PARTE VII:
Nos últimos 2 meses ...
-- Foi ao shopping: aham
-- Comeu sushi: não
-- Esteve em um palco: não...
-- Fez um bolo: lógico que não
-- Roubou alguma coisa: talvez sim

PARTE VIII:
Você já ...
-- Jogou algum jogo que te obrigasse a tirar a roupa: já
-- Foi chamado de falso: haha, muitas vezes
-- Foi insultado: hobby de muita gente

PARTE IX:
-- Idade que quer se casar: perto dos 30
-- Quantos filhos quer ter: 2 ou 3

PARTE X:
No sexo oposto ...
-- Cor dos olhos: não importa, mas gosto de cor de mel
-- Cor de cabelo: preto, preto!
-- Cabelo comprido ou curto: tanto faz
-- O que mais gosta no sexo oposto: tudo

PARTE XI:
-- Números de pessoas que você confia: umas 5
-- Número de cds que você possui: umas 3 dezenas
-- Numero de tatuagens: zeeero



Que questionário babaca.

...and don´t forget the Joker...

Quem dera nossa identidade se limitasse a um documento verde plastificado, o RG. Muito cômodo e simples seria minha vida se assim fosse o comum!

Mas não, a questão de identidade vai além disso. E perspassa nossa vida como um todo.

Eu, por exemplo, que senso de identidade tenho? Fico com a impressão de que seria ótimo recruta para a CIA ou a Abin, ou o que quer que seja um serviço secreto. Fico com a impressão de que nada sou e de que nada represento.

Uma pessoa normal tem as suas marcas, deixa-as por onde passa, tem seus costumes, as suas características indeléveis. Mas e eu? O garoto que a tudo se adapta. Um garoto semelhante a um forasteiro, e que parece não deixar pegadas por sua trilha.

Não tenho sequer um lugar fixo para morar. Não sei mais o que é chamar algo de "meu"! Pode parecer absurdo que isso faça alguém refletir abusivamente, mas a mim o faz.

E com que direito permito isso? Será tática para melhor viver? Creio que daria um péssimo humano normal. Talvez a própria esquisitice inerente ao meu ser seja uma identidade, por que não?

Penso que talvez no futuro, quando puder o mínimo conquistar, possa fincar uma bandeira sobre um monte e chamá-lo de meu reino, e ter nele meus súditos e meus conselheiros, e a minha rainha. Seria perfeito.

Mas até lá sigo como bobo da corte. Que das próprias piadas e gracejos não faz distinção, apenas percebendo que agrada a corte. Paciência.

18.4.07

Um nome e uma esperança

Herbert Marcuse. Guardem esse nome. Logo ele figurará aqui. É meu mais novo revolucionário predileto. Estou lendo o livro Eros e Civilização de sua autoria.

Logo venho com os juízos críticos.

16.4.07

Superjoint Ritual - Waiting for the Turning Point

Superjoint Ritual - Waiting for the Turning Point

Its inside, I felt it then, I feel it now, I feel it now
The turning point, waiting for it, a time bomb,
I'm waiting for the turning point,
to lead my life from endless rage, to rip out
the page, expect the worst, you get the best, I'll wait out the rest,
the turning point. waiting. Endless is waiting
It will be just for me, not her or him or them with hands out
Breaking free of the family, of the lawyers and the vampire
half wits - Waiting for the turning point...
Waiting for the turning point...
I'm waiting; I'm fucking waiting
Laid out, planned out, on my own it works out, frightful
desperate, unpredictably turns out. Desperate, frightful,
Laid out, planned out, on my own it works out, waiting for
the turning point to drive into me.

Marx e Sade se despedem do rapaz

Meu blog foi censurado! Haha

Não por motivos políticos. Esses, graças ao bom Bog, ainda são liberados, revelando que vivemos mais numa democracia do que numa tirania.

Mas a sociedade tem seus poréns civis, e a verdade incomoda aqui e ali, quando ofensiva.

Meu inconformismo não se cala, já advirto. Não perdoarei jamais alguém que acha que pode atropelar os outros para resguardar seu bem próprio, mas convenço-me de que o futuro pode dar cabo das injustiças do mundo.

Não me esquecerei jamais de vocês, Marx e Sade.

13.4.07

Rousseau descatracalizador



"Os homens nascem livres e iguais, mas em todo lugar estão acorrentados"

Jean-Jacques Rousseau



Rousseau é sem dúvida alguma meu filósofo preferido. Pode não ser aquele que mais se destacou na Civilização Ocidental. Mas mesmo assim é meu preferido.

Contudo, pobre do nosso filósofo francês! Imaginou tantas correntes presas aos homens - ou vice-versa - e nem conseguiu imaginar que no futuro inventariam coisa pior: a catraca.

Triste é a sina do homem preso. Mas ao maior dos custos ele é, pelo menos, ainda considerado homem, com toda a sua integridade física e ... bem, quanto à integridade moral é melhor calarmos. O ponto é: não se acorrenta ou se algema animais - esses são livres ou no máximo, presas.

Aos animais foi destinado outros tipos de encarceramento.

Vejamos os bois, vacas, porcos, frangos, cavalos e etc: domesticados pelo humano, ficaram dóceis à nossa vontade (digo, aos nossos meios de expor a vontade). E assim, adestrados, são sempre visto por nós andando em fileira, passando por mata-burros, ou ocupando seu espaço naqueles caminhões em péssimo estado, sendo condicionados a um processo totalmente industrial aplicado à pecuária. É o problema da eficiência na economia.

Pois então não é que eu, andando por essa maravilha da civilização chamada cidade (tão orgulhosa de ser o avesso da Natureza), vejo humanos sendo enfileirados, adestrados, tratados como meros cães e o pior...sendo submetidos à catraca!

Quão ovelha me parece o homem quando tem seu acesso aos lugares do mundo de que faz parte castrado por esse objeto segregador! Repugna-me a idéia de imaginar que chegamos a tal ponto de adestramento. Aí sim não somos mais o humano algemado. Quer seja bandido ou mártir, o algemado ainda reflete, pode tramar qualquer coisa. Mas e nós, que nos acostumamos a esse banimento da liberdade como meros animais? Vamos todos em ordem, pagando e pagando, gastando e consumindo. E no meio do caminho, para acessar o paraíso temos a odiosa catraca à frente. Esse é o verdade evangelho de Deus? Ou do Capital?

Ora, somos meros cordeiros para ambos!

Não posso mais suportar outro girar da roleta da catraca. O barulho metálico me irrita. Irrita-me o aperto a que ela me expõe e o ridículo que ela faz as pessoas gordas ou deficientes sentirem.

Só as crianças escapam a esse monstro castrador.

Que nos resta então fazer?

Nada. As catracas são o simples reflexo do fechamento de nossas mentes. Elas refletem cada preconceito, cada diferença e cada distanciamento que há na sociedade.

E para acabar com as catracas, é preciso acabar com o mundo como o conhecemos.

Que diria você sobre as catracas, caro Rousseau?

10.4.07

É simples, Camila

Camila, minha amiga e companheira de poesia e prosa - lembra da Doll on the Wall? - é muito simples voltar a escrever. Eu diria até que conheci um caminho único para isso.

A receita é fácil:

Viva um ano inteiro de angústias sobre seu futuro, traduzido na palavra "vestibular".
Atormente-se com idéias pessimistas e duvidosas sobre tudo ao seu redor.
Arranje um amor platônico distante.
Conheça uma pessoa que, por sua carência exacerbada, vai ser amada por ti e dizer que te ama.

Odeie essa pessoa após alguns meses por qualquer motivo banal.
Tenha apenas indiferença por ela após algum tempo, pois ódio é sinal de vindouro ou findado amor.
Tente compreender que pragas é o futuro que te fez prestar um vestibular que nem estava nos seus planos e a botou lá, renegando seus sonhos antigos.
Quebre ainda mais a cabeça com dilemas atordoantes e que causam insônia.
Entenda que a vida é fé e acaso. E que apesar da sua fé ser forte, não passamos de marionetes do acaso.
Aceite tudo isso ao mesmo tempo e tente harmonizá-los, construindo uma nova vida.
Se nada der certo e você ter sérios problemas com moradia, tendo que mudar toda semana para a casa de algum colega e sentindo uma extrema vergonha nisso, pensa que o orgulho é nada e que a dependência faz de você ainda um verme, mesmo estando na universidade, que você pensou que era o objetivo máximo da sua vida, mas que é apenas o começo.

Ok. Parece mais desabafo do que roteiro, mas eu, sentado num banco de shopping, esperando uma determinada coisa, tirei dos miolos os seguintes parágrafos (queria transformar em versos, mas a crueza deles exige parágrafos):


Todas as minhas dúvidas sobre o mundo são eternas. Jamais serão respondidas.

Correm a minha mente em devassidão, nas horas de solidão, em que o tempo se arrasta, em que EU me arrasto.

Há, vejo agora, porém, uma singela resposta, ou caminho, às dúvidas. E ela é algo como uma respiração atrás da outra, um batimento cardíaco atrás do outro, um instante após outro instante, coisas que desvelam aquilo que convencionei chamar de vida e adiam para algo além do eterno as respostas concretas (pois é assim que todos querem tudo) que espero das minhas cruéis dúvidas existenciais.

Não é lá texto da mais fina estirpe, mas exprime o que sinto e me faz sentir bem, é esse ardor incontido em vomitar o oculto que caracterizo como minha paixão pela escrita, my friend. Espero que tenha entendido.

2.4.07

Lembrete para mim mesmo

Victor, lembre-se de fazer um post sobre o amor em Esparta ou sem palavras (depois de ter visto 300 eu preciso fazer um) e um sobre catracas.