26.1.07

Por que nasceste Sol?

De todos os poemas do mundo, um me interessa sobremaneira:

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.



Minto. Não conheço todos os poemas do mundo, mas vou conhecer vários.
A autoria é de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, e é intitulado A inconstância dos bens do mundo.

O Sol nasce e não dura mais que um dia...

Já se pensava nesse óbvio existencialismo atual há muito tempo.

2 comentários:

Eilahhh disse...

Gregório de Matos é completamente paradoxo e isso me encanta profundamente nos poemas dele. E faz sentindo, a vida é efêmera, e a firmeza talvez só tenha rigidez na inconstância... Qual seria a verdade absoluta então? Nada mais que algo inconstante? Ai... Eu já saio do assunto... Mas eu adoro Gregório de Matos pela sua própria contradição, o cara era uma Antítese Ambulante...

Ariadne Celinne disse...

Talvez eu esteja errada, ou esteja fazendo uma interpretação pessoal demais. Mas a constância está em cada dia a luz do sol nascer diferente e nós sermos queimados todos os dias por um novo sol. o.O
viajei..sono
boa noite!