29.1.07

O sonho daqueles que não podem sonhar


Um campo minado. Essa é a definição da precaução que eu sinto quando se trata das minhas emoções. Um lugar perigoso de se andar e, especialmente, de se revelar aqui. Falo, sobretudo, do tabu com que as pessoas tratam a emoção na sociedade.

Um campo minado é uma definição para quem deveras sente, pois o caminho seguro se dará através daqueles que têm aguçados seus corações, ou seja, daqueles que já sentiram nossa dor e se condoem conosco. O Triste irá tratar um sentimento alheio como aprendizado.

Já a bomba desse campo é o Feliz, aquele que, cego pelo seu bom momento, não enxerga aquilo que é essencial a todos - a tristeza - e a despreza, uma vez que deseja prolongar seu trono de felicidade por muito mais tempo.

Mesmo sabendo disso, arrisco aqui a dizer que tenho um Mal, pois já não ligo para o que pensarão os outros. O Mal da Alma.

Esse Mal me consome pouco a pouco. É a pior das angústias por viver nesse mundo de Caos, Destruição e Maldade! Minha única cura é achar em mim comoção suficiente para me manter bom. Digo a vocês: dói para mim ver tanta frustração. E ser incapaz de resolver tudo.

Eu sei. Soa piegas. Talvez ninguém entenda. Não quero consolo de ninguém. Apenas percebo que está tudo errado e isso me...mata a alma. Quem não acredita em alma pelo menos entende o conceito da mesma. Está em todas as religiões, crenças, seitas e afins. De maneiras diferentes, digo.

Acontece que ultimamente isso tem se tornado mais freqüente.
Vendo este vídeo, fica fácil entender: Kiwi! É intitulado Kiwi! e trata da história - por CG - daquele pequena ave ocêanica que não tem asas.

O ponto é esse.
quem não tem asas, sonha voar
quem não tem pernas, sonha correr
quem não tem boca, sonha falar...

E quem não tem sonhos? E quem apenas consegue verter lágrimas, sem entender se vale a pena sacrificar tudo por um sonho? Sem entender a motivação que levou o Kiwi a cometer seu ato?

Assim falava o Kiwi.

28.1.07

Eu sou a Árvore da Montanha

Eu sabia que Zaratustra não me desapontaria. Está lá, em um curto, porém poético e devidamente filosófico capítulo tudo o que eu queria ler de um autor como Nietzche.

Não que eu desejasse ler somente aquilo. Mas foi o bastante para perceber que eu tenho um caminho a percorrer e que um filósofo compreendeu isso e me iluminou.

O capítulo em questão chama-se A Árvore da Montanha e trata do momento em que Zaratustra percebe que um jovem evita seu olhar quando o encontra na cidade denominada 'A Vaca Malhada'. Senta ao lado do jovem ao encontrá-lo em um vale e diz, referindo-se a uma árvore próxima:

Se eu quisesse sacudir esta árvore com minhas mãos não conseguiria, mas o vento, que não vemos, açoita-a e dobra-a como lhe apraz. Da maneira mais rude, mãos invisíveis nos açoitam e nos dobram.


Este jovem, leitores, eu encarei como sendo eu mesmo. Desabafa o mesmo, após se assustar com a presença de Zaratustra:

Eu me transformo depressa demais. Meu hoje contradiz meu ontem. Com frequência salto degraus quando subo, coisa que os degraus não me perdoam.
Quando chego em cima, sempre me encontro só. Ninguém me fala. O frio da solidão me faz tiritar. Que é que quero, então, nas alturas?
Meu desprezo e meu desejo crescem juntos. Quanto mais me elevo mais desprezo aquele que se eleva. Que é que ele quer, pois, nas alturas?
Como me envergonho de subir e de tropeçar! Como me rio de ficar tão ofegante! Como odeio o que voa! Como me sinto cansado lá no alto!


Nietzche não poderia me deixar sem uma resposta. Uma solução para essa corrosão do meu ser, lia cada palavra cuidadosamente, pois me identifiquei sobremaneira com cada letra. Falou pela boca de Zaratustra, ainda se referindo à árvore:

Esta árvore cresceu solitária na montanha. Cresceu muito e bem acima de homens e animais.
E se quisesse falar, ninguém haveria que a pudesse compreender, de tanto que cresceu.
Agora espera e continua esperando. Mas o que espera? Habita perto demais das nuvens. Acaso espera o primeiro raio?


Daí eu tiro minhas conclusões. O jovem entendeu bem que o raio dele era Zaratustra. Toda pessoa que deseja subir muito, na verdade deseja apenas sua queda brusca e inerente.

O jovem almejava a liberdade de seu espírito. Mas a cada passo que dava sua alma em direção à liberdade,
os cães selvagens que habitavam em seu espírito também rejubilavam-se por desfarezem-se de suas amarras.

Por fim, Zaratustra ensina-o que para crescer no caminho certo, para chegar ao estágio de super-homem, o garoto teria de se purificar e, principalmente, exortar em si o herói e a esperança que possuía.

Assim falava o sábio Zaratustra. E assim ouvia o garoto. E assim eu lia.


Constatação daquilo que me amarga os lábios

Que terrível companheiro este que me segue!

Por que teimas em me perseguir os passos? Por que insistes em desfazer todos os meus felizes momentos e me alardear com os mais péssimos humores? Por que desejas ver-me carrancudo? Por que me satirizas no olhar alheio e me torna uma horrível companhia para os outros? Por que me rodeias com uma aura que afasta a todos?

Oh, Tédio, tu me matas a alma, assassino. Tu me afastas dos meus companheiros!

E mesmo assim, só vejo em ti o maior dos meus indicadores críticos! Já sei então, velho amigo, tu queres me mostrar que sou um Diferente.

Tu queres me separar do restante do convívio humano. Tu queres me tornar aquele ser de pedra que dará sentido a esse mundo!

Consome-me, verme, e me torne este odioso, mas astuto, ser que te agradas. Beija a boca que tu fazes não sorrir mais.

26.1.07

A Maiêutica de um Baby Blog


Não me passou pela cabeça falar porque resolvi fazer esse blog. De fato, a idéia só surgiu quando fiquei quinze minutos olhando a tela branca do Postagens e me vi totalmente sem assunto.

Já imaginam que de repente surgiu uma lâmpada sobre o crânio deste que lhes escreve. E pensei: "por que não?". Mas a verdade mesmo é que nas férias fica tudo muito maçante e o tédio grassa. A saída é procurar algo óbvio para fazer.

Sempre me senti muito intimidado a expor uma idéia mais rebuscada para o público (e podem ter certeza de que as tenho!). Isso encontra suas raízes lá na minha criação e na minha camaleoa timidez, mas isso é matéria para outro post. Acontece que para vomitar as minhas idéias, como foi muito bem apresentado no meu perfil aqui, eu só possuía um fotolog - que todos sabem ser domínio da imagem e não do pensamento - e, portanto, impróprio para abraçar os meus neurônios.

A intimidação surgia, sobretudo, de comentários esdrúxulos, daqueles que escondem nas entrelinhas: "não li nada do que você escreveu, seu bosta, mas vou dizer qualquer coisa só porque você me encheu o saco para comentar". Enfim. Isso intimida e mostra quão abertas e aptas são as mentes dos meus companheiros.

Rebelei-me? Lógico que não. Segui as trilhas do comum, do enfastiado. Passei a postar coisas inúteis e etc e tal. O pior? Gostei da coisa. Fato é que do lado de lá há agora imagens e mensagens simples e do gosto juvenil - um eufemismo para idiota e banal.

Mas é lógico que não me contentaria apenas com essa situação de normalidade e, assim, comecei a procurar outras maneiras de dar vazão a esse vômito cultural que me alimenta as entranhas do cérebro.

A solução encontrada se apresentou diante dos meus olhos com o frisson causado pelos Blogs durante as eleições de 2006 e mesmo a repercussão que teve blogs internacionais atuantes em países onde vigoram ditaduras e coisas políticas afins que também serão matéria para futuros posts.

Mas eu só resolvi pôr em prática a idéia do Blog quando minha amiga Marina (ou Nina) me indicou alguns blogs para leitura. Uns interessantes, outros não. Enfim, aquela disposição de idéias que seus autores demonstravam me atraíram e me incitaram a parir o Zaratustra me Contou.

E tenho pegado gosto pela coisa. Ou estou errado, solitário blog que recebe minhas humildes palavras? Só tenho a ti para confiar meus pensamentos! E você que está lendo, você é um intruso. Mas eu o convido a comentar, pois hóspede é algo que me agrada, quando educado.

E foi assim que nasceu a idéia do Blog e o próprio. A origem do nome é explicada lá no Um novo começo... e vocês podem muito bem encadear a coisa toda sozinhos.

Assim falava o Blog.

Sobre os Três Tipos de Pedra

Incrível como simples atos podem desencadear toda uma rede de pensamentos e reflexões.
Chutar uma pedra na rua, por exemplo, - uma de minhas distrações favoritas - faz um louco como eu pensar em:


Há três tipos de pedras no mundo


  • A Pedra Chutada
Ou seja, a pedra estática que, parada em seu mundo simples, é vítima de qualquer ação exterior. E, uma vez chutada, tem sua vida determinada pelos ventos do Destino. É a pessoa conivente com o acaso.

  • A Pedra Influenciada
Aquela que rola morro abaixo, sobe os ares os cai num lago não simplesmente pela vontade das forças atuantes no mundo, mas porque plenipotencia-se propositalmente para tal. São pedras que se colocam diante do meu pé pela vontade de seguir adiante. Um belo caso é o rapaz que, não encontrando meio termo entre sua razão e sua emoção, força-se a decidir algo.

  • A Pedra Explosiva
Tem-se aqui a pedra que não depende ou simplesmente não se permite depender dos fatores externos. Não espera a hora chegar. Ela apenas explode, atirando-se em diversas direções ou somente uma direção, com uma tremenda força interna. É a pedra da independência. A pedra que todos perseguimos. Mas também é a mais rara.



É a pedra que quero ser.
Assim falava a Pedra a mim.



Por que nasceste Sol?

De todos os poemas do mundo, um me interessa sobremaneira:

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.



Minto. Não conheço todos os poemas do mundo, mas vou conhecer vários.
A autoria é de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, e é intitulado A inconstância dos bens do mundo.

O Sol nasce e não dura mais que um dia...

Já se pensava nesse óbvio existencialismo atual há muito tempo.

25.1.07

Um novo começo...

Há que se glorificar a internet por nos dar tão interessantes e várias ferramentas onde podemos nos expressar.
De fato, o diário morreu ontem, quando o Bill Gates fez suas graças por aqui, no mundo.
E só sobrou alguns lugares onde despejamos conteúdos ora inúteis ora magníficos.
Que é do nosso egoísmo na internet?

Aqui no ciberespaço somos deuses em bits e bytes.

E nos inflamos, esperando que alguém nos entenda.
Esse blog é nada mais que uma mensagem dentro de uma garrafa lançada ao mar.
Pois bem, esse blog é, para mim, um novo começo.

Um pouco de metalinguagem agora:
O título com toda a certeza descende do livro Assim falava Zaratustra de Nietzche.
Tal qual é o ingresso que tenho feito ultimamente no mundo da Filosofia. Expandir-me-ei, já disse.


E tudo o que lerem aqui, foi Zaratustra que me contou, meus caros.